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Carolina Oda responde 7 perguntas

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    Ba
  • 12 de dez. de 2022
  • 4 min de leitura

Os acasos e caminhos imprevisíveis da vida, levaram uma estudante de gastronomia que sonhava em ser confeiteira, a descobrir no outro lado de lá da porta da cozinha — o “salão” — uma paixão e, talvez, uma missão.

Carolina Oda (Foto: Ju Buosi)

Se foi a personalidade curiosa da Carolina Oda, ávida por descobrir os porquês — dos significados das palavras às razões de fazermos as coisas como fazemos — que a trouxe à parte mais “social” da gastronomia ou se foram, justamente, suas experiências profissionais que a levaram a se interessar tanto pelas pessoas, não sei dizer.


Mas entre a sommelier, consultora, escritora, professora e mais tantas versões da Carol, a comunicação parece ser presença muito forte. E se comunicar é o desejo de trocar — aprender e ensinar, perguntar e explicar — não é mesmo? Unindo isso ao fato de que para quem passa quase metade do ano viajando a convivência e as experiências com o “outro”, tornam-se, de certa forma, morada, arrisco dizer que as pessoas sejam a grande motivação profissional da Carol.


Num universo em que a comida é foco (e na prática, a atenção é quase totalmente direcionada aos chefs que pouco cozinham no dia-a-dia), buscar a valorização do “salão”, parece bastante distante. Mesmo sendo a primeira e última impressão de um cliente dentro de um restaurante, o atendimento não costuma estampar revistas ou motivarem programas de televisão. Quando muito, só as bebidas são estrelas.


Então é nesse trabalho de “formiguinha”, em muito aproveitando o destaque merecido que conquistou após anos de experiência na área, sempre lembrada como uma das primeiras profissionais do universo cervejeiro brasileiro, que a Carol vem buscando valorizar os profissionais do atendimento. Afinal, para quem vem de uma família que acredita que servir é demonstrar afeto, cuidar de quem cuida é ser coerente com a ideia que a gente só dá o que tem/recebe.


Seguem as respostas dela às 7 perguntas.


1 | Por que você escolheu trabalhar com comida?


Tenho bem aquela história de gostar de cozinhar por convivência com a vó. Era brincar de comidinha desde sempre, bater bolo, ganhar batedeira de dia das crianças... Além disso, tem o sangue japonês. Demonstrar o afeto pela comida é algo que faz parte da nossa vida desde sempre. ❤


2 | Tens uma memória gustativa que queiras dividir com a gente?


Nossa. São tantas e tantas! Uma vida buscando sabores. Mas os que mais me conquistam e impressionam são os mais originais, de verdade, de essência... O meu lance são as pessoas, as culturas. A tapioca em terra indígena no Ceará, por exemplo. A cerveja Lambic, entre teias de aranha na cervejaria, na primeira viagem pra Bélgica. Os churrascos com oniguiri no clube japonês que frequentei a infância inteira... São muitas, mas, em todas elas, o contexto faz o sabor!



3 | Tens um sonho gastronômico que você ainda não realizou?


Tudo começou comigo sonhando em ser confeiteira. Estudei francês, tirei diploma, só pra poder estudar confeitaria na França. E isso eu ainda vou fazer! Nem que seja curso de um dia na Lenôtre.



4 | Qual seu prato preferido hoje?


Hoje? Putz... Eu sou uma pessoa sem rotina alguma. Zero. Horários, coisas na geladeira... Viajo uns 100 dias por ano. Não tenho prato preferido hoje não…



Carolina Oda (Foto: acervo pessoal)

5 | Por que você acha que estudar e conversar sobre comida é importante?


Complexa essa pergunta. Acho que tem comida alimento e tem comida entretenimento. Eu trabalho e convivo muito mais com negócios que têm na comida e na bebida o objeto de prazer e diversão. Discutir sobre cultura alimentar é falar sobre um povo. Discutir soberania alimentar é falar sobre direitos. Discutir técnicas e menus degustação é falar sobre lazer, sobre estética. Tem comida pra todo mundo e tem comida que só o topo da pirâmide consome. Tem muitos meandros. Confesso que, hoje em dia, tenho estado mais distante da discussão comida padrão estético crítico elite gastronômica. Hoje eu falo mais das pessoas, de quem faz, de quem serve, se quem usa pra melhorar a vida. De qualquer forma, faz parte do nosso dia a dia, nem que seja pela sobrevivência. Então, é pauta.



6 | Sugere uma referência para assistir, ouvir ou ler sobre comida, por favor.


Amo o filme Estômago, que mostra o poder da comida nas relações. Sempre passamos nas inaugurações um episódio do Reta Final, na Netflix, que mostra o nível de detalhes que são vistos quando se quer entregar um nível de atendimento altíssimo no Eleven Madison Park. Gosto muito das reflexões do Max Jaques, autor do livro Comida no Cotidiano. Sobre hospitalidade, uma das maiores referências é o Hospitalidade e Negócios, do Danny Meyer.



7 | Para encerrar, como você se apresentaria para quem não te conhece?


Uma pessoa que respira gastronomia todos os dias, seja pelo trabalho, amigos, fontes, interesses, há mais de 16 anos. Foi achando seus caminhos entre as inúmeras possibilidades dentro da área. Não se vê trabalhando com nenhuma outra coisa, mas, dentro da categoria, diversifica bem, circulando e saracoteando. Como a empresa sou eu, eu mudo e o trabalho muda. Tem duas principais frentes: bebidas e gestão do atendimento. Afinal, as bebidas estão na equipe do salão. Comidas, conceitos, lugares, culturas, técnicas... Gosta de tudo! Mas o que encanta mesmo são as pessoas e como fazer a vida de quem escolheu trabalhar com restauração de pessoas seja melhor. A hospitalidade que chega ao cliente é consequência da hospitalidade que recebe aquele que trabalha. Quem serve é o último elo de tudo que vem antes com o cliente, é o grande ponto de contato, e, um dia, o mundo vai reconhecer! Estamos trabalhando pra isso! E ama uma viagem, principalmente pelo Brasil. Viaja em torno de 100 dias por ano, fuçando e aprendendo por aí. Quanto mais conhece jeitos de viver, melhor desenha o seu.


Perfil da Carolina Oda

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Oi, eu sou a Bá por trás do sobrecomida_lab e sonho um espaço de trocas e conexões, onde comida é meio e/ou mensagem. Um laboratório de ideias que não tem endereço (ainda?), mas tem sotaque.

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