Carolina Dini responde 7 perguntas
- Ba
- 6 de set. de 2022
- 3 min de leitura
Já pararam para pensar como fermentar é um exercício dos curiosos que têm fé? Vejam: é necessário um bocado de desprendimento, afinal pode dar muito certo ou muito errado, porém para que exista a possibilidade de um fermentado no futuro, é preciso de muita dedicação e esperança no hoje. É um amor livre — não os pertence, sabem que isso é uma ilusão, mas nem por isso (ou justamente) deixam de se dedicar, amar e investir. A ideia errada de que temos controle sobre tudo, não existe aqui, mas isso não significa abandono, pelo contrário.

Ao meu ver, a Carolina Dini, popularmente conhecida como “Cebola na manteiga”, tem essa mente e coração dos fermentadores. Para além dos alimentos, ela fermenta ideias, projetos, palavras e uniões. Um mundo de curiosidades experienciado através de muita dedicação e testes, numa alegria e leveza de quem já entendeu que não controla nada, mas tem disposição e coração de sobra para investir.
Seja no blog, no jornalzinho, nos livros, nos cursos, nas receitas sem receitas onde os vegetais são protagonistas, nas playlists para rebolar enquanto cozinha, nas consultorias, a Carolina parece querer propagar planejamento e liberdade, com boas doses de expiação de culpa — essas coisas, que, de novo, parecem antagônicas, mas que na verdade quando juntas, formam a união perfeita das sonhadoras-realizadoras.
E assim vai seguindo a Carol, num caminho de muita solitude curiosa, porém de muitas parcerias, conversas e compartilhamentos — neste quebrar paradigmas e conceitos fechados sem-fim.
1 | Por que você escolheu trabalhar com comida?
Cursei Direito, advoguei por doze anos, mas o amor pela comida e tudo que a envolve começou a ser mais interessante que os processos jurídicos. Quando tracei um plano a longo prazo para mudar de carreira, não tive medo de experimentar: fiz feiras vendendo comida, trabalhei em algumas cozinhas profissionais, comecei a testar muitas receitas em casa, e aí a coisa foi acontecendo. Estou muito feliz fazendo o que faço.
2 | Tens uma memória gustativa que queiras dividir com a gente?
Do mexido que minha mãe fazia corriqueiramente: muita cebola, feijão vermelho, arroz agulhinha alhudo, couve picadíssima, carne moída e farinha de mandioca torrada. Não como carne, então hoje eu faço a receita dela trocando a carne moída por cogumelo fatiado ou umbigo de banana, por exemplo. Essa memória sempre me conforta, acho incrível o poder que a comida tem de abraçar a gente!
3 | Tens um sonho gastronômico que você ainda não realizou?
Ser patrocinada por alguma empresa ou aprovar um edital público para
poder contratar uma ampla equipe de cozinheiros e profissionais de outras áreas para movimentar um projeto social que deixe mais gostosa e nutritiva a comida das pessoas nas escolas, presídios, que resolva parte da questão do desperdício... É um sonho grande, que precisa de muita articulação. Torço para um dia acontecer!
4 | Qual seu prato preferido hoje?
Aquele que ainda não experimentei! Um clichê total falar isso, mas quer coisa melhor que o sabor do desconhecido? Por isso é tão legal frequentar outras cozinhas para aprender com colegas de profissão e fermentar vegetais, pois eles trazem outros sabores.
5 | Por que você acha que estudar e conversar sobre comida é importante?
É só através da educação que a gente consegue mudar as coisas. Questionar, mudar, voltar atrás, aprender outros jeitos: eu vivo pra isso, gosto dessas curvas que a vida faz. Quando o assunto é comida, todo dia tem conhecimento novo para absorver. Quero viver uma cozinha menos baseada no norte global e mais centrada na cultura brasileira. Gosto de estudar os vegetais que estão no meu entorno e cozinhá-los aplicando técnicas complexas que geralmente são destinadas apenas às carnes.
6 | Sugere uma referência para assistir, ouvir ou ler sobre comida, por favor.
Quanto mais eu conheço o trabalho da Luisa Macedo, que inclusive já respondeu essas mesmas sete perguntas, mais eu me apaixono pelo olhar dela. A Luisa tem uma visão ampla sobre o alimento: ela entrevista as pessoas, escuta com os ouvidos abertos, fotografa, cozinha, se interessa pela pesquisa dos outros... Admiro muito!
7 | Para encerrar, como você se apresentaria para quem não te conhece?
Uma cozinheira que gosta de mostrar para as pessoas que é maravilhoso ter como norte os vegetais, a brasilidade, a fermentação e a agroecologia.
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