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Felipe Ribenboim responde 7 perguntas

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  • 14 de jul. de 2022
  • 3 min de leitura

Felipe Ribenboim começou a trabalhar com comida como cozinheiro e seu interesse pela arte — que quase o levou para a arquitetura — sempre influenciou seu olhar sobre o alimento.


Felipe Ribenboim (foto: Vivi Spaco)

A sua compreensão de que o alimento é expressão de cultura e que deve sim ocupar espaços que geralmente não associamos à comida, tornou-se ferramenta para pensar a culinária brasileira — como na exposição Alimentário.


Promover o debate do que seria a “culinária brasileira”, buscando identificar e valorizar seus ingredientes, se atentando para a nossa cultura alimentar, são assuntos presentes não só no restaurante em que foi chef e sócio-proprietário, mas nos cursos autoformativos (e gratuitos) que ministra: Cultura Alimentar e Escritas Gastronômicas.


A educação como necessidade para conscientização, fazendo do diálogo a principal ferramenta, estão no cerne do FRU.TO, projeto que é co-criador e que, através de palestras promovidas entre 2018 e 2020, trouxe pessoas de diferentes áreas de estudo e atuação para discutir alimentação.


Portanto de sua graduação em Gastronomia até hoje — seja como cozinheiro, produtor cultural ou educador —, a cozinha brasileira, a relação do alimento com as artes e o diálogo como educação, são elementos que parecem estar sempre presente, entrecruzando-se em sua trajetória.


Confira a seguir, as respostas do Felipe às 7 perguntas.



1 | Por que você escolheu trabalhar com comida?


Entendo que podemos interpretar o alimento e a alimentação como expressão cultural. E como tanto, me interessa analisar o que envolve nossas escolhas alimentares, seus impactos, suas histórias, origens, atribuições, rituais e gestos relacionados em toda cadeia do alimento; de sua produção, comercialização, consumo e pós-consumo.


2 | Tens uma memória gustativa que queiras dividir com a gente?


Lembro quando minha avó materna me ensinou as receitas clássicas da família; sabendo que seria uma passagem de bastão: de como fazer um bom arroz branco ao cuscuz paulista. Me lembro muito da primeira vez que provei formiga também.



3 | Tens um sonho gastronômico que você ainda não realizou?


Difícil falar hoje em dia em querer viajar e provar o mundo, quando tanta gente não tem acesso à uma boa alimentação. Hoje em dia, responderia que meu sonho gastronômico seria o fim da fome e da insegurança alimentar e nutricional. No Brasil e no mundo.



4 | Qual seu prato preferido hoje?


Arroz - ou melhor, arrozes. Com legumes, com feijão e farinha, com ovo…



5 | Por que você acha que estudar e conversar sobre comida é importante?


A gente se move para e pela comida. É a nossa força motriz, é energia. Precisamos entender o que — e por que — escolhemos o que comemos e quais os impactos para nossa saúde, o meio ambiente, a cultura, economia, política… O alimento passa por todos esses fatores, e sem comida e água não sobrevivemos.



Felipe Ribenboim (foto: Ricardo D ́Angelo)

6 | Sugere uma referência para assistir, ouvir ou ler sobre comida, por favor.


Tenho lido e consumido muito sobre esse tema; às vezes prefiro consumir estes conhecimentos propondo questionamentos sobre o que eu como: de onde veio, como está embalado, onde foi comprado, como se vende, quem cozinhou.. Os últimos livros que li são mais diversos, desde a relação de alimentação e psicologia (O Banquete da Psique, de Gustavo Barcellos), jornalismo (Diálogos Comestíveis, da Érica Araium; A Revolução da comida, de Rafael Tonon), vinho (Conversas acerca do vinho, da Gabi Monteleone), história e ingredientes (Mandioca, de Alex Atala e As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano)... Tenho acompanhado também O Joio e o Trigo - site e podcast. Mas como básico, diria História da Alimentação no Brasil, de Câmara Cascudo e Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus.



7 | Para encerrar, como você se apresentaria para quem não te conhece?


Um apaixonado pelo universo do alimento; busco olhar para o alimento desde sua produção, consumo e pós consumo; com um olhar de suas relações com eixos culturais, históricos, educacionais, políticos e ambientais.


Felipe Ribenboim foi indicado por Adélia Rodrigues a responder as 7 perguntas, pois para ela o “Felipe entende (e ensina) que a gente tem que pensar gastronomia para além das paredes da cozinha. Que ela conversa com arte, política e tudo mais que é importante no mundo”.

Perfil do Felipe Ribenboim

Curso autoformativo e gratuito Cultura alimentar: o alimento e suas relações

Curso autoformativo e gratuito Escritas gastronômicas

Site do Alimentário (por enquanto somente em inglês e italiano)

Site do Fru.to


Perfil da Vivi Spaco


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Oi, eu sou a Bá por trás do sobrecomida_lab e sonho um espaço de trocas e conexões, onde comida é meio e/ou mensagem. Um laboratório de ideias que não tem endereço (ainda?), mas tem sotaque.

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